A PSICOLOGIA ANALÍTICA DE JUNG E SUAS
APORTES À PSICOTERAPIA

Juan Carlos Alonso G.

Juan Carlos Alonso González é Psicólogo (Universidade Nacional, Bogotá), com Especialização em Gestão Humana (Universidade dos Andes) , Especialização em Política Social e Maestria em Estudos Políticos (Pontifícia Universidade Javeriana). Diretor e fundador em 1995 do Grupo Amigos de Jung Colômbia. Docente e investigador da Pontifícia Universidade Javeriana, da Faculdade de Psicologia e de Estudos Políticos e Relações Internacionais. Artigo publicado na Revista Universitas Psychologica, Facultad de Psicología Pontificia Universidad Javeriana, Vol 3, No. 1 enero-junio 2004, pp. 55-70. Correio eletrônico: jalonso@javeriana.edu.co

 

RESUMO
O presente artigo responde ao notável interesse que vem acordando de um tempo atrás a Psicologia Analítica, escola que recolhe a obra do médico suíço Carl G. Jung (1875-1961). Existe um desconhecimento muito grande em nosso meio sobre este enfoque, pelo qual o artigo procura oferecer uma visão ampla de seus fundamentos. Devido a que o desconhecimento é ainda maior em relação com suas inovações no trabalho clínico, o documento realiza uma recontagem dos principais aportes feitos por esta orientação à psicoterapia. Finalmente se mencionam os desenvolvimentos, revisões e escolas postjunguianas que evoluíram a partir das idéias originais de Jung até nossos dias, bem como os interessantes pontos de encontro com as correntes psicanalistas.
Palavras clave: psicologia analítica, psicologia profunda, complexos, inconsciente coletivo, individuación, tipos psicológicos.

 

ABSTRACT


This article is an answer to the growing interest arisen byAnalytic Psychology, a school of thought that compiles the work of the Swiss doctor Carl G. Jung (1875-1961). There exists a wide lack of information in our society on the contents of this school and thus this article seeks to offer wide review of its foundations. Given the fact that the aforementioned lack of knowledge is even greater in relation to its contributions to clinical work this paper presents the main contributions made by this approach to psychotherapy. Finally, a mention is made of the developments, revisions and postjunguian schools that have evolved from the original ideas of Jung to our days, as well as interesting encounter points with other psychoanalitical approaches.

Key words: Analitical psychology, depth psychology, complexes, collective unconscious, individuation, psychological types.


Introdução

Ler a obra do médico suíço Carl G. Jung (1875-1961) não é um labor fácil porque apesar de suas inovadoras propostas, é um autor bastante asistemático. No entanto, durante as duas últimas décadas, é crescente o interesse que acorda sua obra em Sur América, especialmente nas gerações jovens, o qual se reflete principalmente em três fatos: um, o projeto em marcha de publicar sua obra completa em espanhol; dois, a inclusão de sua obra como matéria em algumas universidades; e três, a criação cada vez mais frequente de institutos especializados nos que se dá a conhecer seu trabalho e nos que se dá a formação de terapeutas com orientação analítica. Este artigo responde a tal interesse e descreve os principais aportes feitos pela psicologia analítica à psicoterapia bem como a expansão desta escola.

A sua obra em espanhol

A obra completa de Freud foi traduzida ao castelhano pela primeira vez em 1922 (tradução de López-Ballesteros) e para esta época diria o psicoanalista chileno Jacobo Numhauser (1973) que Freud chegava ao público de nosso idioma com 30 anos de atraso, quando o movimento psicoanalítico já tinha atingido uma notável difusão em Europa e em Estados Unidos . Algo similar pode afirmar-se com referência à obra de Jung a qual começou a traduzir-se de maneira sistemática só até 1999 (2), setenta e sete anos depois da tradução dos trabalhos freudianos, quando também a psicologia analítica apresenta uma considerável divulgação no resto do mundo.

Até este ano de 1999, os trabalhos de Jung tinham estado publicando-se desde os anos vinte ao espanhol em forma desordenada, por várias editoriais latinoamericanas (Galán, 1999), com traduções não sempre afortunadas (3) e com títulos que não se ajustam aos originais. Isto cria uma enorme confusão à hora de fazer um inventário do material traduzido. Não obstante, é graças a tais esforços desordenados que se conhece no mundo de fala hispana, assim seja de maneira deficiente, uma terceira parte dos escritos junguianos.

Acesso às universidades

Com as matérias dedicadas à psicologia analítica nas universidades do mundo sucedeu algo parecido ao que passa com a psicanálise, e é a dificuldade de que suas teorias tenham acesso à academia. A exceção parece ser Estados Unidos, em onde há muitos analistas que ditam seus cursos teóricos em universidades desde faz muito tempo. Por exemplo, na Universidade de Berkeley se ensina Psicologia Junguiana desde 1977 (Sáinz, 1991). Não obstante, o rendimento ao mundo acadêmico foi em incremento nos últimos anos. Em nosso meio colombiano, já se ditaram cátedras sobre Jung nas faculdades de psicologia de duas universidades privadas de Bogotá (a Universidade Javeriana e a Universidade dos Andes).

Criação de centros de Psicologia Analítica

Pese à tardia divulgação das idéias junguianas nas salas de aula universitárias, fora delas começaram a debater-se desde faz muito tempo, quando Jung ainda estava vivo. O primeiro Instituto Jung se criou em 1948 em Zurich com o propósito de adiantar estudos e investigações da psicologia analítica. A partir desse momento, multiplicaram-se estes institutos por todo mundo, estendendo seus objetivos a dar a conhecer sua teoria e a treinar aos futuros terapeutas que exercem com base em suas orientações.

A IAAP (International Association for Analytical Psychology) é uma organização internacional cujos objetivos são a promoção e difusão do estudo da psicologia analítica, a organização de congressos e a manutenção de altos níveis no exercício da profissão e na conduta ética de seus membros (C.G. Jung Page, 2003). Existem no mundo 60 sociedades de analistas que são membros desta organização e mais de 2.000 analistas de 28 países em qualidade de membros individuais.

Em Europa há sociedades membros da IAAP nos seguintes países, em alguns dos quais há mais de uma sociedade: Suiça (5 sociedades), Alemanha (5), Itália (5), Israel (3) e França (2). Áustria, Bélgica, Dinamarca, Inglaterra, Holanda e Espanha, cada país com uma. Em outros continentes existem sociedades em Austrália e Nova Zelandia, Japão e Sul Africa. No continente americano, Estados Unidos é o país em onde existem mais sociedades de psicologia analítica autorizadas no mundo: há ao menos 17 sociedades em vários Estados deste país Também existem duas sociedades em Canadá.

Em Latinoamérica o país com maior recepção às idéias junguianas foi Brasil que conta com duas sociedades aprovadas por Zurich em três de seus principais Estados do sudeste do país, Sao Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Venezuela e Uruguai também têm seus centros aprovados. A IAAP tem ademais uma categoria de membresía aos que denomina “grupos em desenvolvimento” que constituem agrupações nas que não existem membros da IAAP, senão pessoas interessadas em divulgar a psicologia analítica; nesta categoria se encontram: uma associação de formação em Argentina, um grupo de desenvolvimento em Chile e uma fundação em Equador. Ao fazer esta revisão, resulta curioso que Colômbia tenha estado tão alheia à influência junguiana.

Natureza da psicologia analítica

Convém começar por fazer algumas precisões. Ao conjunto de propostas teóricas, analíticos e metodológicos formulados por Jung se lhe denomina psicologia analítica, para diferenciá-la dos postulados de Adler aos que se denomina psicologia individual, e dos de Freud, que constituem o usualmente chamada psicanálise. De outra parte, à atividade dos analistas de uma e outra escola se lhe costuma chamar psicologia profunda, que faz referência a que uns e outros abordam o estudo do inconsciente (Stevens, 1994).

Divergências entre Jung e Freud

Facilita entender as diferenças conceituais entre Freud e Jung se antes se adianta um conceito junguiano que contribui a aclarar a relação entre as obras e seus autores. Este conceito é o dos Tipos Psicológicos. Jung desenvolveu precisamente esta teoria para tratar de explicar como era possível que Freud, Adler e ele mesmo, pudessem ter explicações tão diferentes respecto das neuroses. Essa questão o levou a pensar que a percepção da realidade e seu conseqüente conceptualización, está sempre mediada pela equação “ pessoal” do autor, na que o tipo psicológico cumpre uma tarefa fundamental (Jung, 1943).

A sua teoria constitui um interessante esforço por compreender a complexidade da personalidade humana e de oferecer critérios de classificação que ajudem a entendê-la. Parte de considerar que os indivíduos nascem com uma atitude psicológica introvertida ou extravertida, dependendo de se seu interesse natural é por seu mundo interior ou pela realidade social que os rodeia. Assim mesmo, que o ser humano pode orientar-se no mundo através de quatro funções básicas: o sentimento, o pensamento, a intuição e a sensação (4). Não obstante, em sua teoria as pessoas não utilizam estas funções por igual, senão que desenvolvem mais uma destas funções, deixam outra parcialmente desenvolvida, enquanto as outras duas permanecem num plano indiferenciado e inconsciente.

No marco desta teoria, Freud e Jung possuíam uma tipologia bastante diferente, o qual incidiu em grande parte de sua produção teórica. Jung tinha desenvolvida, como função dominante, a intuição, enquanto em Freud primava a sensação. Estas diferenças na equação “pessoal” não parecem ter-se valorizado o suficiente à hora de estudar as divergências entre Freud e Jung. Os seguidores de um e outro tenderam nas décadas passadas, a ressaltar as diferenças entre ambos. No entanto, com o passo do tempo, os seguidores de uma e outra corrente encontraram que não necessariamente se trata de teorias contraditórias (Thompson, 1979; Samuels, 1999) senão que, como se propõe neste artigo, é possível analisar uma boa parte das propostas de Freud e Jung como provenientes de dois tipos diferentes de personalidade, condicionados por ópticas unilaterais. Podem analisar-se então como eixos extremos de um mesmo espectro de possibilidades, e por tanto, como visões complementares. Algumas destas polaridades se apresentam a seguir.

• A libido como energia neutra:
A diferença das primeiras propostas de Freud nos que entendeu a libido como uma energia psíquica de caráter sexual, a psicologia analítica manteve desde o começo que se tratava de uma força vital neutra que, dependendo das circunstâncias de cada ser humano, podia manifestar-se de diferentes maneiras, uma das quais podia ser a sexual (Stevens, 1994).

• Uma psicologia do particular e do são:
Enquanto Freud propunha um enfoque clínico centrado no patológico, Jung afirmava que não era lógico derivar o normal do patológico, senão que o correto era criar uma psicologia geral do ser humano normal e tratar depois de compreender ao enfermo a partir do são. Na mesma linha de pensamento, rejeitava a tendência dos psicoterapeutas a qualificar e rotular os enfermos mentais pois estava convencido que cada caso era diferente e único (Jung, 1935). De outra parte, recomendava aos terapeutas não se ocupar somente de avaliar o que funcionava de maneira inadequada nos pacientes, senão também determinar o que funcionava satisfatoriamente, com o fim de começar a trabalhar desde ali (Jung, 1993; Fordham, 1966).

• Um inconsciente criativo:
Outra evidência da perspectiva otimista de Jung é que enquanto o inconsciente que concebia Freud tinha um cariz negativo, representado por todas as coisas reprimidas do indivíduo, o inconsciente era para Jung também uma fonte positiva que podia gerar grandes benefícios (Jung, 1992). Desde sua óptica, o inconsciente com freqüência se mostra como uma fonte inacabável de criatividade que pode ser transmitida à consciência em forma de forças de renovação e de transformação.

• Um âmbito transracional:
Enquanto Freud se cingia completamente ao método científico baseado na racionalidade, Jung se interessava por uma psicologia que excedia o lado racional do ser humano (Jaffé, 1992; Hochheimer, 1968). Sentia um grande respeito pelo método empírico e o demonstrou várias vezes, entre outros em seus experimentos de associação de palavras (Jung, 2001); não obstante, sempre se negou a comprometer-se com a falácia do cientificismo, pois considerava que era uma forma de negar a validez de todos os fenômenos não susceptíveis de investigação científica (Stevens, 1994). Pelo contrário, sempre manteve sua mente aberta aos elementos irracionais e acausales que a ciência tende a ignorar, pois considerava que ao deixá-los de lado, sacrificam-se aspectos essenciais da personalidade que impedem conhecer ao ser humano com todos seus paradoxos.

• Princípio finalista:
Outro aspecto que denota a mirada oposta dos dois autores é a ênfase posta por Freud no princípio de causalidade, enquanto Jung insistia no princípio finalista e teleológico. Isto é, considerava que todas as atividades da psique estão dirigidas para uma finalidade (Jung, 1992). Isto incide nos aportes feitos por Jung ao campo da psicoterapia, já que algumas de tais contribuições consistem em perguntar-se não somente pelas causas dos fenômenos psíquicos, senão complementar esta mirada com o interrogante sobre o propósito que perseguem.

As anteriores são algumas das principais posições contrárias que tinham Freud e Jung, e ajudam a entender os principais fundamentos da psicologia analítica: a auto-regulação da psique, o modelo de estrutura da psique, o inconsciente pessoal, os complexos, o inconsciente coletivo e os arquétipos.

Princípios gerais da psicologia analítica

1. Os opostos e a auto-regulação da psique:
Segundo a teoria junguiana, para compreender a realidade do mundo, a psique entende todas as formas de vida como uma luta entre forças antagónicas que geram tensões, as quais, ao resolver-se, produzem um desenvolvimento no indivíduo (Progoff, 1967). Jung estava convencido, assim mesmo, que a psique é um sistema autorregulado que se esfuerza constantemente por manter o equilíbrio entre tendências opostas. Desta maneira, quando se produz uma polaridade ou unilateralidad no reino consciente de um indivíduo, seu inconsciente reage de imediato em sonhos, ou fantasias, tentando corrigir o desequilíbrio que se está produzindo (Jung, 1992).

2. A estrutura da psique:
Pode-se representar topológicamente o modelo junguiano da psique como uma estrutura circular composta por três partes, uma pequena seção é a consciência, uma segunda capa maior é o inconsciente pessoal, e depois está uma imensa porção que constitui o inconsciente coletivo. O eu esta situado nos limites entre a consciência e o inconsciente pessoal. Segundo sua teoria, este último estaria conformado pelos complexos enquanto o inconsciente coletivo o estaria pelos arquétipos. Entre os complexos e os arquétipos, Jung sempre viu uma relação funcional muito estreita, pois concebia os complexos como "personificaciones" dos arquétipos.

 


Gráfico 1. Modelo junguiano da psique

3. O inconsciente pessoal:
Para a psicologia analítica, o eu é o centro da consciência e surge desde as primeiras fases do desenvolvimento a partir do arquétipo do se mesmo, que é o verdadeiro centro de toda a personalidade. Assim que o eu não é de jeito nenhum o ente reitor da psique, senão mal um complexo mais, que tem o único privilégio sobre os demais complexos de possuir o sentido da identidade.

Não obstante , o eu é um componente de grande importância já que dá ao indivíduo a consciência de existir e o sentimento de identidade pessoal. Estando o eu situado entre os dois mundos, o exterior e o interior, explica-se que uma diferença fundamental que se apresenta entre as personalidades dos indivíduos é que para uns o externo é o mais importante (os extravertidos) enquanto para outros o é seu próprio mundo interior (introvertidos). O eu é ademais o organizador das quatro funções psicológicas já mencionadas; isso significa que o eu é também o portador da personalidade.

O inconsciente pessoal é para a psicologia analítica o resultado da interação entre o inconsciente coletivo e a sociedade. Este inconsciente é muito mais amplo do que o freudiano, pois não contém só o reprimido senão ademais o que não se pensa, o esquecido, o subliminal, o pressentido, etc. Como se mencionou, as unidades funcionais do inconsciente pessoal são os complexos.

4 . Os complexos:
A psicologia analítica entende os complexos de forma diferente a como os compreendia Freud. Em contraste com este, Jung considerava que os complexos não eram algo patológico, senão que representam partes essenciais da mente, estando presentes em todos os seres humanos, tanto as pessoas sãs como as enfermas. O que mais chamava o atendimento de Jung sobre os complexos era sua autonomia, pois parecem atuar as vezes de maneira independente do eu e como se tivessem uma personalidade própria. Em estados normais, esta autonomia cobra vida própria para produzir os lapsus cotidianos, mas em estados alterados, esta autonomia pode manifestar-se como as vozes e visões alucinatorias que escutam os esquizofrênicos, como os espíritos que controlam aos mediums em transe ou como as personalidades múltiplas em casos de histeria. Considerava que os complexos são inevitáveis e provocam de maneira normal os grandes estados de ânimo, tanto os sofrimentos como as grandes alegrias, convertendo-se no verdadeiro sal da vida. “Um complexo se volta enfermiço só quando se pensa que não se o tem” (Jung, 1968: 80).

5 . O inconsciente coletivo:
Jung derivou sua teoria do inconsciente coletivo, de fenômenos psicológicos que encontrou na psique de seus pacientes, os quais não podiam ser explicados com base na experiência pessoal, fruto do esquecimento ou da repressão. Descobriu ademais do que vários destes conteúdos guardavam similitudes com temas mitológicos e religiosos do passado cultural dos povos, sem que tivesse uma referência individual que os explicasse. Isso o levou a pensar que se tratava da influência de componentes coletivos que podiam manifestar-se de maneira simbólica em eventos especialmente intensos da vida dos indivíduos
Em suas primeiras obras Jung disse que o inconsciente coletivo estava conformado por " imagens primordiais" que proviam da história passada da humanidade. Para evitar que se malinterpretara sua afirmação no sentido de que as experiências arquetípicas se podiam "gravar" na psique, em 1946 estabeleceu uma diferença entre "arquétipo em si" e “representações arquetípicas”.

6 . Os arquétipos:
De maneira esquemática poderia pensar-se nos arquétipos “ em si” como uma espécie de imagens em potencial e de recipientes temáticos sem conteúdos. Isto é, em si mesmos, os arquétipos são só tendências e entes potenciais (Progoff, 1967). Jung os definiu como “fatores e motivos que ordenam os elementos psíquicos em certas imagens... mas de tal forma que só se podem reconhecer pelos efeitos que produzem” (Jung citado por Sharp, 1994: 29), em tanto as “representações arquetípicas” seriam “as variações pessoais que se remetem a essas formas básicas que são os arquétipos em si” (Jung, 1991a).

Estas propostas são completamente compatíveis com o enfoque dos etólogos como Lorenz, que sustenta que cada espécie animal está dotada de um repertório de comportamentos (por exemplo os comportamentos específicos que desenvolve um ave para construir um ninho) disponíveis em seu sistema nervoso central, para ativar-se tão cedo como se encontram os estímulos apropriados no meio. Com os arquétipos sucede algo parecido. Representam a possibilidade de que certas idéias, percepções ou ações sucedam ante determinadas circunstâncias do meio. Desta maneira, os arquétipos predisponen ao ser humano a enfocar a vida e a vivê-la de determinadas formas, de acordo com pautas antecipadas previamente dispostas na psique (Stevens, 1994).

Muitos destes arquétipos se relacionam com situações típicas da humanidade. Como o processo de desenvolvimento interior é também um fato típico do ser humano, são especialmente importantes os arquétipos da individuacao (5).

Aportes terapêuticos da psicologia analítica

A psicoterapia é muitas coisas ao mesmo tempo: é teoria, é método, é técnica, é prática e ao mesmo tempo é interação e influência interpessoal. Por isso, ao falar das contribuições da psicologia analítica ao trabalho clínico é necessário fazer alusão a conceitos, procedimentos e atitudes. Devem-se ter presentes as prevenções que tinha Jung ao falar deste tema, no sentido de evitar todo tentativa de estandarizar a psicoterapia (Jung, 1935).

A proposta de partida da terapêutica analítica é que a saúde mental responde à adequada relação funcional que se estabeleça entre os processos conscientes e os inconscientes em decorrência da vida de um indivíduo. Em conseqüência, a prática terapêutica analisa esta relação nas pessoas e procura recuperar a sã comunicação entre a consciência e o inconsciente mediante técnicas que se desenvolveram com tal fim, para aqueles casos nos que se apresenta um funcionamento inadequado (Jung, 1993).

Jung afirmava que não existia nenhuma terapêutica que fosse válida para todos os indivíduos, pelo qual tentava prescindir de toda teoria aprendida sobre as neuroses ao entrar em contato com um paciente, para deixar que fosse a experiência a que ditasse o caminho terapêutico a seguir. Isto prevenia contra os procedimentos estereotipados (Jung, 1935). Ademais, que o importante é tentar compreender em cada caso individual, através dos sonhos, as tendências curativas do indivíduo a fim de ativá-las mediante uma participação consciente e ajudar a que orientem a autocuración (Jung,1968).

Os principais aportes teórico-práticos em matéria terapêutica poderiam resumir-se nos seguintes aspectos que constituem algo bem como o selo particular na forma de conduzir o processo terapêutico.

1. Conceito positivo da neurose:
Baseado no enfoque finalista, a psicologia analítica aborda as doenças mentais e em particular a neurose, de uma maneira bastante otimista, já que as concebe como tentativas de cura com os que reage o organismo ante um estilo de vida inadequado. “Uma psicologia da neurose que só veja o negativo, desbarata-o todo, porque não aprecia o sentido e o valor da fantasia ‘infantil’, isto é, criadora.... O homem está enfermo, mas a doença é uma tentativa da natureza, que se propõe curar ao homem. Podemos aprender da doença muitas coisas úteis para nossa cura...” (Jung citado por Hochheimer, 1968: 76-98).

Para a psicologia analítica, todas as neuroses estão caracterizadas pela presença de conflitos que envolvem complexos e dissociações, os quais provocam regressões e descensos do nível mental. A causa costuma ser uma deficiente adaptação interna ou externa que leva à pessoa a uma regressão a etapas infantis.

Não obstante , além das neuroses clinicamente determináveis, Jung descobriu que uma boa parte destas doenças se manifestava por causa da falta de sentido na vida e correspondiam em sua maior parte a pessoas que se achavam na segunda metade da vida. Em tais casos aparecem como um momento crítico na vida de uma pessoa, no que se enfrenta à disyuntiva entre dois estilos de vida. Geralmente se produzem quando o indivíduo desenvolveu uma forma de vida que lhe significou o sacrifício de potencialidades que se vêem reprimidas, até que chega um momento em que estas se rebelam e exigem que se as tenha em conta. Isto é, falha nesse momento a adaptação que tinha operado até então e o conflito se faz evidente. A doença põe à pessoa contra a parede e a obriga a tomar uma decisão com respeito a seu futuro, existindo a possibilidade de desenvolver um crescimento pessoal que o leve a um estado de realização maior ao que tinha antes da aparição da neurose.

É interessante a ênfase que faz a psicologia analítica em que o desenvolvimento humano não se detém em nenhum momento, senão que continua de uma maneira diferente até a morte (Jung, 1991d). Alguns junguianos realizaram sugestivas descobertas nos sonhos das pessoas que vão morrer, como se durante estas fases anteriores ao deceso o desenvolvimento continuasse e o inconsciente estivesse preparando à consciência para este importante momento (Hall, 1995; Von Franz, 1984).

Nas neuroses da segunda metade da vida, Jung não via útil a psicanálise. Freud tinha elaborado sua teoria das neuroses partindo de que sua causa se acha num passado remoto. Sem negar esta afirmação, Jung considerou que a neurose volta a construir-se constantemente de novo, pelo que não via essencial remontar-se ao passado no tratamento, senão que era possível trabalhá-lo desde os acontecimentos do dia de hoje, que atualizavam a neurose. Pelo contrário, considerava que a psicanálise era indicado, ao igual que a psicologia de Adler, para o tratamento das neuroses em meninos e adolescentes (Jung, 1935).

2 . Etapas do tratamento:
A psicologia analítica de Jung distingue quatro fases pelas que passa um paciente num tratamento analítico: confissão, explicação, educação e transformação (Jung, 1935). Na etapa de confissão se trata, como se faz em tantas práticas sanatorias, de que o indivíduo tome consciência e reconheça ante o terapeuta todo o escondido e reprimido que lhe causa culpa e que o leva a afastar-se do resto da sociedade. Esta etapa leva implícita a aceitação da sombra que é o aspecto escuro de nossa personalidade. Na etapa da explicação se ajuda ao paciente a fazer consciente a transferência com o terapeuta, ou seja a dependência na que cai este, ao reviver a reprimida relação familiar infantil com os pais. A diferença da anterior etapa, nesta se trata de levar à consciência fantasias que nunca antes têm estado ali, mediante diferentes técnicas, em especial a interpretação de sonhos (Jung, 1935). Neste labor o terapeuta oferece explicações do material, utilizando o método interpretativo.

Depois, apresenta-se a etapa da educação, na que há uma espécie de treinamento indirecto para que o paciente possa continuar com seu trabalho terapêutico de maneira independente. Este é um aspecto especialmente importante no que insistiu Jung em toda sua obra e é a possibilidade de que os mesmos pacientes pudessem continuar num processo de autoeducación que os levasse a converter-se em verdadeiros sujeitos sociais (Von Franz, 1982). Ainda que não excluía proporcionar conhecimentos psicológicos, a “educação” se referia fundamentalmente à aprendizagem através da prática terapêutica, mas em ambos casos se procurava liberar ao paciente da dependência e autoridade do terapeuta o mais cedo possível (Hochheimer, 1968).

E finalmente está a etapa de transformação. Esta etapa não parece tê-la recomendado Jung a todo mundo, senão tão só àquelas pessoas “que podem mais do que o homem médio” (Jung, 1935:28-29). Isto se baseava na presunção de que as três primeiras etapas enunciadas podem conduzir à normalidade “”, mas segundo Jung há pessoas para quem o lucro de uma adaptação social normal a este mundo contemporâneo com valores tão cuestionables, não é de modo algum satisfatório, pois se podem sentir partícipes de uma neurose coletiva que está longe de ser um objetivo moralmente aceitável. Assim que esta quarta etapa está dirigida a estas pessoas e consiste numa transformação ética ante a vida, que os conduza a encontrar suas próprias metas no plano moral. Representa realmente o processo de desenvolvimento chamado individuación por Jung.

3 . O processo de individuación:
Apesar da crença de Jung de que esta é uma etapa exclusiva a um grupo de pessoas com um eu maduro e forte, este aspecto foi um dos mais revisados de sua teoria, tendendo na atualidade as escolas postjunguianas a considerar que a psique tem um processo de evolução natural que qualquer indivíduo pode incrementar, quando se faz consciência dele. Para isso, desenvolvem-se uma série de técnicas, em especial a análise dos sonhos.

O processo de individuación é uma forma de maturação e de autorrealización da personalidade, liderado principalmente pelo se mesmo. Caracteriza-se pela confrontação do consciente com alguns componentes do inconsciente: com a pessoa, a sombra, o ánima, o ánimus e o se mesmo e a tarefa básica consiste em diferenciar o eu de todos estes complexos, para o qual este se deve relacionar objetivamente com todos eles, evitando identificar-se com eles (6).

O processo conduz a uma transformação paulatina da personalidade a estádios de maior adaptação do indivíduo, tanto a sua realidade externa como a sua realidade interna. Como resultado deste processo, produz-se um “completamiento” do indivíduo, que o aproxima com isso à totalidade contribuindo a fazê-lo mais livre (Hochheimer, 1968).

O grau de dificuldade de fazer conscientes os diferentes complexos costuma ser progressivo e pode observar-se através da série de sonhos. A seguir se descrevem os rasgos típicos do trabalho clínico com estes complexos, insistindo em que a aparente seqüência é um pouco arbitrária, já que cada indivíduo desenvolve seu processo de maneira particular e única (Von Franz, 1964).

4 . O trabalho com a pessoa e a sombra:
A pessoa e a sombra costumam ser, por sua cercania à consciência, complexos com os que trabalha a psicologia analítica desde as primeiras fases de um tratamento. A pessoa representa a “máscara” que deve utilizar o indivíduo em sua adaptação à vida social cotidiana. São todos aqueles aspectos da personalidade com os que os indivíduos se adaptam ao mundo exterior, os papéis que desempenham e que resultam presentables e agradáveis para os demais (Jung, 1990a). Jung elegeu este nome referindo-se ao termo em latim que significava a máscara que usavam os atores do teatro antigo. A sociedade exige que todo sujeito represente um papel a maneira de máscara num teatro, como se o sujeito nunca pudesse mostrar-se aos demais com a totalidade de sua personalidade. Ainda que o estabelecimento da pessoa é um recurso normal e necessário, existe o perigo de que o eu termine identificando-se com essa máscara e o indivíduo senta que não lhe é fácil saber quem é seu eu e quem a pessoa (Evans, 1968).

O complexo da sombra é o pólo oposto da pessoa. Na medida em que o eu tende a desenvolver os aspectos mais fortes de sua personalidade e embeleza a esta última, os aspectos mais inadaptados para a sociedade, eliminam-se ao inconsciente em onde vão formando a sombra (Bly, 1994; Robertson, 2002). Não só se trata de aspectos socialmente negativos como a inveja ou a covardia, senão que também podem ser elementos socialmente catalogados como positivos, mas que o indivíduo e seu meio rejeitam.

A interessante novela de R. L. Stevenson "O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde", é o melhor relato que há em literatura sobre a sombra (Sanford, 1991). Ensina a não negar a existência dos aspectos reprimidos porque estes vão crescendo e em qualquer dia podem tomar vida própria como se se tratasse de outro ser dentro do indivíduo. A descoberta da sombra é muito importante no tratamento terapêutico e representa um momento doloroso de reconhecimento ao que deve seguir a penosa e longo labor de autoeducación (Zweig e Abrams, 2001). Trabalhar este complexo desde os sonhos facilita a tarefa, já que como dizia Von Franz (1964), se é um amigo o que nos fala de um defeito nosso, o mais provável é do que não se o aceitemos e lhe respondamos do que não tem a autoridade moral para fazê-lo, mas que podemos dizer se são nossos próprios sonhos os que nos estão fazendo o reproche?

5 . O trabalho com o ánima, o ánimus e o si mesmo:
O ánima é o complexo funcional que representa o aspecto feminino nos homens, enquanto o ánimus é o complexo funcional que representa o aspecto masculino nas mulheres. Este par de complexos autônomos são fundamentais na adaptação social dos gêneros, na adaptação sexual e também na atracção para o outro sexo.

A respeito deste último aspecto, homens e mulheres não se sentem atraídos pelo sexo contrário em general, senão por certo tipo de pessoas. A explicação desta atracção parte de um enfoque que pode catalogar-se como narcisista, já que pareceria como se cada indivíduo, homem ou mulher, tendesse a apaixonar-se de partes inconsciente próprias, o ánima e o ánimus, projetadas nos demais. Na conformação destes dois complexos têm uma influência muito grande o pai e a mãe do indivíduo, já que são eles o primeiro homem e a primeira mulher que os meninos e meninas conhecem (Jung, 1976, 1990a). De adulto, ao projetar um homem seu ánima, tenderá a apaixonar-se de pessoas parecidas à mãe, e o processo contrário sucederá com as mulheres (Sanford, 1998).

Se posteriormente os complexos do ánima e do ánimus se conseguem enfrentar, evitando identificar ao eu com eles e integrando na consciência seus rasgos, o inconsciente revela em sonhos um novo aspecto, o se mesmo, representado numa personalidade superior que adota no homem os rasgos de maestro ou semidios, e na mulher, os rasgos da Grande Mãe ou a anciã sábia. O si mesmo pode definir-se como o arquétipo da totalidade e centro regulador da psique, oculto por trás da personalidade total e encarregado de levar à prática o projeto de vida e de guiar o processo de individuación. Por isso, Jung dizia que sua vivência poderia sentir-se psicologicamente como o “Deus dentro de nós” (Jung citado por Sharp, 1994: 181).

Para terminar de falar da individuación, teria que dizer que o ponto até onde se desenvolva o processo, depende da disposição do eu a colaborar porque é este o que decide e o que pode permitir que o si mesmo se realize. Em outras palavras, o processo de individuación é real, só se a pessoa se dá conta dele e leva a cabo uma conexão direta com ele (Von Franz, 1964).

6 . Dissolução dos complexos:
Do dito até agora, poderia generalizar-se que ante um complexo qualquer dos que acabamos de mencionar, um indivíduo pode ter várias atitudes: ignorá-lo, identificar-se com ele, projetá-lo nos demais, ou enfrentá-lo (Jacobi, 1957). Destas diferentes atitudes, a primeira é a menos desejável já que pode dar origem às duas seguintes situações: a identificar-se e a projetar-se. Só o quarto caminho pode realmente dissolver um complexo. Esta dissolução consiste em fazê-lo consciente para tratar de descobrir os dois pólos opostos que sempre esconde, dos quais um foi aceitado conscientemente pelo indivíduo e o outro foi reprimido.

A verdadeira libertação de um complexo consiste em conciliar os opostos para assim “desconectar” ao indivíduo de cair obrigatoriamente em algum dos pólos (Zweig e Wolf, 1999). A terapia em psicologia analítica deve procurar a integração destes contrários, para assim liberar ao indivíduo e que este possa depois aceitar e responder ao mundo, segundo as circunstâncias, sem cair nos extremos.

A única forma de conseguir esta integração dos contrários é facilitando que a pessoa vivencie novamente a situação que originou o complexo, mas fazendo-o com todo o afeto e emoção que o acompanharam e que tinham sido reprimidos. Em outras palavras, como o complexo se inicia no meio de um ônus afetivo, sua dissolução também se deve fazer no meio da afetividade. Para isso, existem técnicas das que depois se falará, mas que em general, tratam de identificar e dar voz a esses aspectos reprimidos que têm estado na sombra por muitos anos.

7 . A força transformadora do símbolo:

Em psicologia analítica, o símbolo é um elemento fundamental para o processo terapêutico, já que opera como um verdadeiro motor transformador de energia, que conduz a sua vez a mudanças positivas na personalidade dos pacientes. “O símbolo é uma máquina psicológica que transforma energia” (Jung, 1992: 56). Não se trata de negar a elaboração consciente e racional dos conflitos, mas a psicologia analítica reconheceu que os lucros por este caminho são limitados e que é necessário complementar este labor com a elaboração simbólica, a qual permite lucros impossíveis de pensar pela única via do entendimento racional dos problemas.

Também este conceito de símbolo utilizado por Jung é diferente ao usado na psicanálise, pois em psicologia analítica se define como um objeto conhecido que representa um objeto desconhecido (Frey-Rohn, 1993). A principal diferença com a perspectiva freudiana é que esse outro objeto desconhecido nunca poderá ser compreendido a cabalidad e sempre deixa a sensação de mistério. Uma das principais técnicas para trabalhar com os símbolos é a interpretação dos sonhos.

8 . Interpretação dos sonhos:
Os sonhos representam um campo especialmente importante no tratamento psicológico profundo. Para a psicologia analítica os sonhos não escondem nem disfarçam nada; a dificuldade de entendê-los se deve a nossa incapacidade para entender a linguagem simbólica que utilizam (Jung, 1993). Este enfoque também não concebe os sonhos somente como mecanismos de realização de desejos, senão que os considera um espontâneo e útil produto do inconsciente, para cuja interpretação se empregam principalmente duas perspectivas (Mattoon, 1980). A primeira parte do enfoque finalista e conduz a atender não só à causa e ao por que do sonho senão também ao propósito e ao para que ocorre um sonho determinado. Desde este ponto de vista, a interpretação de um sonho pode entender-se como uma tentativa espontânea da psique na solução de um problema. A segunda perspectiva tem em conta o princípio compensador da psique, para o qual se analisa um sonho tratando de vê-lo como uma compensação das situações conscientes que esteja vivendo o indivíduo no momento determinado em que sonha (Jung, 1991c, 1992, 1993).

A psicologia analítica compartilha com a psicanálise a utilidade das associações livres do soñante na interpretação, mas recomenda que o terapeuta evite que devastes associações se afastem das imagens originais do sonho, porque assim se pode perder o significado específico que o sonho “procura” transmitir. Em isto se diferencia da interpretação freudiana que não tem reparos em que as associações livres se afastem do sonho inicial. Para a psicologia analítica, este afastamento conduz sempre a algum dos complexos do soñante, o qual sendo importante, leva ao sacrifício de perder de vista o sentido particular que tem um determinado sonho (Jung, 1992).

9 . Métodos auxiliares:
Jung descobriu que a imaginação ativa constitui uma alternativa do trabalho dos sonhos. Consiste em levar a cabo um diálogo que combina o racional e o irracional, com complexos do teatro interior (Jung, 1990b). Para isso se pode “tomar uma imagem ou cena de um sonho do paciente ou uma idéia que lhe tivesse vindo à imaginação como ponto de partida para que o utilizasse o paciente como tema da livre atividade da fantasia...” (Jung, citado por Hochheimer, 1968: 116). Esta livre atividade podia estar representada por muitas das manifestações tradicionalmente telefonemas “artísticos” que elegesse o paciente, segundo suas inclinações naturais; o desenvolvimento podia ter lugar em forma dramática, dialéctica, visual, acústica, na dança, a pintura, o desenho ou a escultura (Hochheimer, 1968). No entanto , Jung evitava considerá-las obras de arte pois cria que eram algo superior, já que equivaliam a uma ação direta e independente do paciente sobre si mesmo, “...o paciente pode fazer-se creadoramente independente. Não depende mais de seus sonhos nem do saber de seu médico, senão que ao tratar de pintar-se a si mesmo, pode mudar-se a si mesmo. Porque o que pinta são fantasias actuantes, aquilo que atua nele...” (Jung, 1935, 84-85). Depois da representação das imagens é necessário levar a cabo um trabalho de interpretação delas através do entendimento intelectual e emocional, a fim de conseguir sua integração na consciência (Progoff, 1992).

10 . Personalidade do terapeuta e contratransferencia:
Para Jung a psicoterapia é um labor difícil na que cooperam duas personalidades totais: a do terapeuta e a do paciente, outorgando muita importância à personalidade do primeiro e em ocasiões parece valorizá-la mais ainda do que a técnica do que este utilize (Jung, 1991b). Assim mesmo ressaltava a atitude aberta e comprometida que este devia ter, que responde ao convencimento que tem a psicologia analítica de que para poder oferecer a maior ajuda possível a outra pessoa, o terapeuta deve dar-se por completo, sem maiores resguardos técnicos. Por isso, prefere-se a consulta cara a cara mais do que a prática do divã, em onde o terapeuta fica tão seguro. Isso o leva a ser mais partícipe do processo e também a ser mais susceptível de sofrer tanto transformações negativas como positivas, a partir da interação terapêutica (Eckhard, 2000).

A etapa da individuación demanda especialmente esta disposição do terapeuta a transformar-se também a si mesmo na interação com o paciente. Tão só na medida em que o faça, conseguirá transformar a seu analisado. “Como é de esperar de todo tratamento psíquico verdadeiro, o médico exerce um influxo sobre o paciente, mas semelhante influxo pode ter lugar quando ele é influenciado pelo paciente... O encontro de duas personalidades é como a mistura de dois corpos químicos: se tem lugar a combinação, ambos se transformam” (Jung, 1935: 30).

Tudo isto tem relação direta com os conceitos de transferência e contratransferencia, os quais variam também em Freud e Jung. Desde a perspectiva da psicologia analítica, a transferência é um processo absolutamente natural e espontâneo, pelo qual não pode ser produzido de maneira artificial e voluntária por parte do terapeuta (Jung, 1983). Apesar de reconhecer, ao igual que a psicanálise, o grande valor deste fenômeno, Jung foi relativizando sua importância com o correr do tempo. Numa de suas últimas obras diria: “Cabe comparar a transferência com aqueles medicamentos que nuns atuam como remédio e em outros como um verdadeiro veneno... e em outros, por fim, é comparativamente inesencial” (Jung, 1991: 23-24).

11 . Evitar a dependência do paciente:
A psicoterapia junguiana tende a evitar a criação de laços de dependência por parte dos pacientes, ou quando menos a reduzí-la na medida do possível. Por isso, costuma-se trabalhar, em média, com poucas sessões semanais. Dizia Jung, que nos casos difíceis tinha bastante com três ou quatro sessões semanais, mas que, em general, eram suficientes duas sessões semanais e só uma quando o paciente estava já treinado (Hochheimer, 1968). Considerava que no tempo restante, o paciente devia aprender a caminhar por si mesmo, com a guia do terapeuta, descobrindo o sentido dos sonhos.

Para contrarrestar a dependência dos pacientes e fomentar sua autonomia, Jung chegou a propor a conveniência de que o tratamento se interrompesse cada verdadeiro tempo, para deixar que o indivíduo voltasse a lançar-se ao água da cotidianidade e a enfrentar-se consigo mesmo sem ajuda (Stevens, 1994). É uma constante em Jung a idéia de fomentar a responsabilidade pessoal de sua própria recuperação e de impedir o afastamento da vida cotidiana. Uma vantagem secundária de procurar a rápida independência do paciente é que os tratamentos resultam muito menos custosos do que os da psicanálise. “Poupa-se deste modo tempo ao médico e ao paciente, e dinheiro a este último, que aprende ademais a apoiar-se em si mesmo em lugar de abandonar-se passivamente à direção do terapeuta” (Jung, citado por Hochheimer, 1968: 111).

12 . Análise didática:
É importante a proposta da psicologia analítica, hoje aceitada em toda a psicologia profunda, de que os analistas levem a cabo a chamada análise didático, ou seja um processo de análise deles mesmos antes de analisar a outras pessoas (Jung, 1935). Esta formação responde à necessidade de que o médico se transforme a si mesmo para que adquira a capacidade de transformar ao enfermo. Considera-se que se o terapeuta padece de uma neurose sem solucionar, representará uma séria limitante para o tratamento já que um analista só pode dar o que tem e nada mais (Guggenbühl-Craig, 1992). Esta proposta faz parte de uma proposta geral no sentido de que quem têm a responsabilidade de ensinar algo, devem sempre aplicar em carne própria o que esperam que os demais realizem. Nos escritos dirigidos aos docentes faz esta mesma recomendação e esta coincidência não é acidental, já que Jung via que a análise era realmente um processo que se devia ensinar, para que os pacientes o aprendessem e o pudessem continuar por seus próprios médios.

Deseja-se ressaltar esta contribuição de Jung em suas devidas proporções já que o requisito da análise didática, que agora resulta tão óbvio, não o era em seu tempo. Esta exigência, que é coerente com a atitude de respeito aos pacientes que sempre caracterizou a Jung, contribuiu à humanização da ocupação terapêutica. Com esta perspectiva, ele alargou o horizonte da psicoterapia, enfatizando que o importante não é o título do profissional senão suas capacidades humanas.

Outra recomendação muito importante deste enfoque propõe que a análise didática seja realizado tanto por um homem como por uma mulher. A justificativa é que se o terapeuta é de um ou outro sexo, a polaridade interior masculina ou feminina do paciente é ativada, e é desejável para a integração psíquica que isto se consiga com ambos aspectos da contrasexualidad (Sáinz, 1991).

Enfoques da psicologia analítica

Apesar de que a teoria da psicologia analítica se desenvolveu muito nas últimas décadas, é pouco o que se conhece sobre as atuais revisões que se fazem das teorias originais de Jung. Diz uns destes autores: “Nosso respeito e dedicação às idéias de Jung não nos tem cegado ante o fato de que algumas das coisas que disse e escreveu bem como partes de sua teoria clínica e cultural, precisam ser revisadas” (Young-Eisendrath e Dawson, 1999: 15).

Todas estas revisões conduziram à exploração e descoberta de novas idéias e métodos em psicoterapia. Alguns autores trataram de pôr ordem nos caminhos que seguiram estes desenvolvimentos conceituais. Quiçá quem mais se esforçou nesta tentativa, apesar dos esperados questionamentos, é Samuels (1999).

Durante as décadas dos cinquenta e os sessenta, podiam identificar-se na psicologia analítica duas escolas claramente definidas: a “escola de Zürich”, com orientação clássica, e a “escola de Londres”, com orientação evolutiva. Não obstante , nos anos setenta começou a surgir uma nova escola cujo interesse se centrava nos arquétipos. Desta maneira, na atualidade existem estas três escolas ou enfoques na psicologia analítica: a clássica, a evolutiva, e a arquetipal (Samuels, 1999).

A clássica, sem deixar de evoluir, tendeu a manter-se não muito afastada das propostas originais de Jung. Sua ênfase está no papel fundamental do sim mesmo como regulador e promotor da totalidade psicológica que procura o processo de individuación. Recorda que o eu consciente é só uma parte importante do sim mesmo, mas que o resto é o inconsciente e que por tanto o trabalho clínico procura conhecer e fazer consciente tal material mediante a análise de sonhos, comportamentos, lapsus, sincronicidades, entre outras manifestações (Hart, 1999).

A evolutiva está formada por autores interessados teoricamente no desenvolvimento. A ênfase posta por Jung nos processos mentais das idades adultas, afastou-lhe do estudo do desenvolvimento infantil. O grupo de junguianos de enfoque evolutivo viu este aspecto como uma carência pelo qual olharam para a psicanálise, concretamente ao grupo de clínicos e teóricos londrinos que para os anos 40 fundaram a escola psicoanalítica das relações “objetales” (7) e começaram a realizar investigações apoiados nestas teorias, construindo todo um andamiaje teórico de psicologia junguiana, que se estendia até os primeiros anos. Não era difícil porque as “imagens arquetípicas” de Jung e os “objetos parciais” de Klein, apesar das diferenças de linguagem, referiam-se ambos às relações temporãs do sim mesmo; os dois eram estruturas psicológicas profundas inatas, enraizadas nas experiências instintivas. Igualmente importantes foram os achados sobre a prática terapêutica, já que descobriram que a elaboração teórica sobre as etapas temporãs podia aplicar-se à contratransferencia, como resposta do terapeuta às informações contidas nas comunicações primitivas, não verbais, dos pacientes (Solomon, 1999).

A arquetipal enfatiza no valor fundamental que tem o conceito do arquétipo e em sua utilidade na exploração das experiências imaginales oníricas ou fantasiadas. É, das três escolas, a que menos desenvolvimentos clínicos teve. Esta escola, fundada no final dos anos setenta, surgiu como reação principalmente à aplicação mecânica dos princípios junguianos e ao que eles consideravam como orçamentos metafísicos injustificados. Na prática clínica destes psicólogos arquetípicos, a análise consiste numa cura “através da visão” tratando de fazer metafórico o literal e em voltar imaginal o real (Adams, 1991). No curto tempo que leva de existência a psicologia arquetipal deu uma perspectiva crítica “re-visionista” da análise junguiano.

Na tabela seguinte se resumem as principais diferenças que Samuels encontra entre as três escolas, primeiro, quanto às matérias de ênfase conceitual, e depois, aos aspectos de prioridade na prática clínica. Na terceira coluna se mencionam os principais representantes de cada escola.

 

TABELA 1.- ÊNFASE TEÓRICA-PRÁTICO DAS ESCOLAS JUNGUIANAS E
PRINCIPAIS REPRESENTANTES

ESCOLAS ÊNFASE TEÓRICA ÊNFASE PRÁTICA CLÍNICA PRINCIPAIS REPRESENTANTES
CLÁSSICA 1. Se-mesmo
2. Arquétipo
3. Desenvolvimento da personalidade
1. Vivências simbólicas do Se-mesmo
2. Elaboração da imagineria
3. Análise de transferência e contra-transferência
Gerard Adler
Lilian Frey-Rohn
Barbara Hannah
Esther Harding
Jolande Jacobi
Aniela Jaffée
Marie Ann Matton
Marie Louise von Franz
Joseph Wheelwright
Marion Woodman
EVOLUTIVA 1. Desenvolvimento da personalidade
2. Se-mesmo
3. Arquétipo
1. Análise de transferência e contra-transferência
2. Vivências simbólicas do Se-mesmo
3. Elaboração da imagineria

Michael Forman
Rose Mary Gordon
Andrew Samuels
Lambert Plant
W. Redfearn
H. Dieckman
ARQUETIPAL 1. Arquétipo
2. Se-Mesmo
3. Desenvolvimento da personalidade

1. Elaboração da imagineria
2. Vivências simbólicas do Se-mesmo
3. Análise de transferência e contra-transferência

James Hillman y su grupo concentrado en la revista Spring, editada en Dallas, Texas.

Fonte: O autor baseado em Samuels (1999) y Sáinz (1991).

Esta tabla tabela é uma apresentação esquemática de alguns aspectos centrais e pode constituir-se numa ferramenta útil de debate conceitual sobre as tendências de divergência na comunidade junguiana e postjunguiana. Um dos aspectos mais polêmicos desta classificação é a inclusão da escola arquetipal, pois muitos contradizem a seu autor ao autor da proposta, afirmando que tal enfoque é marginal e não merece tal nominación de escola “”. O debate, não obstante, permanece aberto.

Outra proposta que faz Samuels (citado por Sáinz, 1991)é a de identificar algumas coincidências entre as escolas arquetipal e evolutiva frente à clássica que resultam interessantes porque podem tomar-se como os principais eixos no desenvolvimento teórico posterior da óptica junguiana tradicional. São eles:

1) Encontra-se que o conceito clássico de si mesmo põe uma ênfase excessiva em seu poder “potencial”, o qual resulta um aspecto limitante quando se lhe vincula à resolução de um conflito.

2) Viu-se a necessidade de operacionalizar “” e baixar a terra a idéia da individuación. De uma parte, analisa-se que é um processo que se pode iniciar em qualquer momento da vida, ainda desde a meninice, e não só a partir da idade madura. De outra parte, que não é desarrollable só por pessoas especialmente evoluídas, senão que ainda os psicologicamente débeis são capazes de beneficiar-se deste processo.

3) Diminuir a importância da totalidade integradora como meta psicológica, pois se pode tomar isto como um “culto à perfeição”; o anterior permite resgatar os esforços de lucros menos perfeitos mas mais viáveis.

4) As imagens arquetípicas não têm que ser necessária e objetivamente impressionantes, senão que sua importância está na percepção subjetiva de cada indivíduo.

5) Não há uma divisão clara entre o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo.

Como material de discussão é interessante a classificação das três escolas; no entanto, corre-se o risco de exagerar as divergências entre elas e subestimar as convergências. Quiçá sejam mais úteis os esforços que fizeram outros autores por apresentar os conceitos da escola clássica desde uma perspectiva integrada com a evolutiva e a arquetipal, com muito interessantes resultados (Stevens, 1994).

Recentemente, Guggenbühl-Craig (citado por Kirsh, 2000), analista junguiano muito respeitado em Zurich, fez um aporte à discussão, mencionando que apesar dos diferentes caminhos que tomaram diferentes autores da comunidade junguiana, há alguns aspectos que os mantêm unidos. O primeiro é que todos eles vêm de alguma maneira de Jung e foram estimulados por ele, o qual constitui sua identidade histórica original. Em termos do autor “todos somos os netos ou bisnietos de Jung ”, como se se tratasse de uma grande família estendida, e que pese a suas muitas diferenças, existe uma ascendência comum. O segundo ponto é que todos compartilham uma espécie de identidade ideológica, chamada pelo autor “atitude transcendente” caracterizada por crer que por trás de todos os conceitos e teorias psicológicos, existe outra dimensão da realidade que implica aspectos profundos da psique e que se relaciona com a noção de individuación. Ao respecto, há poucos positivistas entre os junguianos. O terceiro, que poderia chamar-se a “tradição chamánica”, é o interesse dos junguianos pelo natural e psicologicamente primitivo, que os leva a combinar esta sabedoria com o uso mais sofisticado do psicológico na tradição cultural ocidental com a convicção de do que o curativo pode sobrevir da tensão entre estas duas posturas (Kirsch, 2000).

Conclusões

A psicologia profunda, entendida como a união da psicanálise com a psicologia individual e a psicologia analítica, foi bastante questionada nos últimos anos. A psicanálise deixou de ser a inovadora teoria que foi uma vez e não pôde manter as promessas de transformação do indivíduo e da sociedade, que presagiaba. Ainda que à teoria freudiana lhe corresponde a parte mais forte da desilusão, Jung e Adler também carregam com uma parte da crítica (Kirsch, 2000).

É impossível predizer que sucederá com a psicologia analítica no futuro e se nas próximas décadas continuará uma classificação de terapeutas que se denominem “junguianos”. A primeira razão são as diferenças vistas entre os enfoques dentro da comunidade junguiana (Spiegelman, 1990). A segunda é que as teorias e práticas das antigas escolas psicológicas se voltaram mais tolerantes e procuraram o entendimento mútuo com outros enfoques, o qual provocou aproximações insuspeitas. Se se analisam as revisões que fez a psicanálise postfreudiano de boa parte das idéias originais de Freud, encontra-se que muitos das novas propostas têm grandes semelhanças com os postulados junguianos (Samuels, 1999). Por isso, alguns pensam que a psicologia analítica seguirá a tendência atual e perderá também sua identidade separada para fazer parte de uma psicanálise genérica (Fordham, 1966), que terá uma imagem mais integrada da psique humana e na que o enfoque junguiano do aspecto criativo e benéfico da psique complementará a perspectiva reconocidamente pessimista da visão freudiana (Frey-Rohn, 1993). Assim, ainda que desapareçam os junguianos como grupo diferenciado, o mais seguro é do que não desapareça o enfoque proposto por Jung.

Neste artigo se apresentaram as idéias principais da psicologia analítica e algumas das características da psicoterapia que dela se derivam. Alguns destas propostas podem ser cuestionables e existem algumas carências e vacuidades nela, como o assinalaram vários autores; no entanto, o que não se pode negar é que se trata de formulações inovadoras que constituem uns dos aportes mais notáveis e influentes do século XX. Espera-se do que esta mirada geral à psicologia analítica, que não pôde por razões de espaço aprofundar nos aspectos apresentados, contribua à divulgação das propostas junguianas e à criação de uma psicologia analítica em nosso meio que enriqueça o labor terapêutico e a tarefa investigativa em diferentes campos das ciências humanas, a partir das interessantes categorias mencionadas.

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PIES DE PÁGINA

(1) Correspondência: Juan Carlos Alonso González, Facultad de Ciencias Políticas y Relaciones Internacionales, Universidad Javeriana, Cra. 7ª. No. 45-20, Bogotá, Colombia. Correo electrónico: jalonso@javeriana.edu.co

(2) A Obra Completa está sendo traduzida e publicada pela Editorial Trotta de Espanha, sob a supervisão da Fundação Carl Gustav Jung de Espanha, fato que garante, entre outras coisas, uma terminologia científica unificada e autorizada em nosso idioma. Até o primeiro semestre de 2003 se tinham publicado seis dos vinte volumes.

(3) Uma exceção notável são os 15 livros publicados por Editorial Paidós que guardam bastante uniformidade nos conceitos.

(4) “A sensação estabelece o que realmente está presente, o pensamento nos permite reconhecer seu significado, o sentimento nos diz seu valor e a intuição assinala as possibilidades quanto a de onde prove e a onde vai uma situação dada” (Jung, citado por Sharp, 1994: 77).

(5) Correspondem ao se mesmo, a pessoa, a sombra, o ánima e o ánimus, os quais são tanto arquétipos como complexos.

(6) Sempre se apresentam problemas quando o eu se identifica com os demais complexos, assim seja com o do sim mesmo.

(7) Entre os membros mais destacados desta escola estão Klein, Bion, Winnicott e Bowlby.