PRINCIPAIS CONCEITOS JUNGUIANOS


Esta é uma viagem rápida e panorâmica através dos principais conceitos da Psicologia Analítica. Convém fazer uso do Glossário do livro Recordações, Sonhos, Pensamentos a fim de determinar quais poderiam ser estes conceitos fundamentais dentro do universo do pensamento junguiano. Escolhe-se este glossário porque é muito indicador que fosse o mesmo Jung quem os escolhesse em sua autobiografia.

Seria igualmente conveniente para uma pessoa que se assome pela primeira vez a este enfoque, contar com algo mais do que uma relação isolada de conceitos. Assim que correndo o risco de fazer parecer simples a enorme complexidade das propostas junguianos, apresenta-se a seguir uma breve trama conceitual que relaciona uns conceitos com outros, podendo os interessados aprofundar na definição de cada um deles (A, C-H, I, M-P, S-T), tomadas do Lexicón Junguiano, de Recuerdos, Sueños, Pensamientos e de Tipos Psicológicos.

Como ponto de partida, pode facilitar a tarefa de entendimento, fazer um exercício de categorização com todos os termos do Glossário. Pode-se agrupar a treintena de conceitos em 4 categorias: 1) O sonho, 2)O consciente, 3) O Inconsciente, e 4) O processo de individuação.

CATEGORÍA CONCEPTOS
SONHO Asociação
Amplificação
CONSCIENTE Extraversión
Introversión
Funções psicológicas
Pensaento
Sentimiento
Sensação
Intuição
INCONSCIENTE

Alma
Experiências de associação de palavras
Traumas psíquicos
Arquétipos
Imagens Primitivas
Psicoide
Sincronicidade
Numinoso
Anima
Animus
Pessoa
Sombra
Se-mesmo

INDIVIDUACAO Neurose
Imagem interna de Deus
Cuaternidad
Mandala
Mana
Hierogasmos
Inflação do Eu
Alquimia

Quanto ao Sonho:

Dois das principais técnicas na interpretação dos sonhos na Psicologia Analítica, as quais se complementam, são: a associação, que consiste em que o soñante mencione por livre associação os elementos pessoais que se lhe ocorram a respeito das figuras oníricas que aparecem no sonho, tratando de nunca se afastar dessas figuras. E a amplificação que é uma forma de associação baseada na comparação das imagens oníricas com a mitologia, a religião ou os contos de fadas. É analisar, por exemplo, que se uma das imagens do sonho é a mudança de pele na serpente, depois das associações pessoais, saiba-se que na mitologia esta figura representa as vezes o renascimento e a ressurreição, para ver se isto enriquece e aprofunda a primeira interpretação.

Quanto ao Consciente :

Uma das principais diferenças entre as personalidades é se o indivíduo se interessa mais para seu mundo externo (extraversión) ou para o interno (introversión). Assim mesmo, os seres humanos podem adaptar-se à realidade através de quatro funções psicológicas: o pensamento, o sentimento, a sensação e a intuição.

Quanto ao Inconsciente:

Ainda que difícil de definir, Jung assimilou o conceito antigo de alma com o conceito de personalidade. De outra parte, através das experiências de associação de palavras, Jung comprovou a existência desses elementos inconscientes que são os complexos (conceito que curiosamente não está na lista do Glossário), os quais as vezes se geram a partir de traumas psíquicos. Assim mesmo deduziu a existência dos arquétipos , aos que numa primeira época os chamou imagens primitivas ou imagens primordiais. Estes arquétipos têm a rara particularidade, segundo Jung, de ser psicóides, ou seja de ser comuns ao psíquico e ao físico. Se poderia dizer também que ao espírito e à matéria. Um exemplo de um fenômeno psicóide é quando ocorre uma sincronicidade: por exemplo uma pessoa sonha uma noite com a morte de um amigo e ao dia seguinte lhe contam que este morreu na realidade. Cá está coincidindo um fato psíquico que é o sonho com um físico que é uma morte real. E geralmente estas sincronicidades se sentem como algo numinoso, o qual descreve as situações que têm um forte impacto emocional e que se vivem como algo mágico, sagrado ou conmocionador. Alguns dos arquétipos que se encarnam em complexos pessoais são: o ánima (que a parte feminina interna dos homens), o ánimus (que é a parte masculina interna das mulheres), a pessoa (que é a máscara social que nos costumamos pôr), a sombra (que contém todos os aspectos que nos obrigam a reprimir) e o Se-mesmo (que é como a voz interna sábia).

Quanto à Individuação:

É um processo de desenvolvimento psíquico que consiste em levar conteúdos inconscientes à consciência, e que as vezes pode surgir depois de aparecer uma neurose no indivíduo (ou seja uma leve dissociação interna de um mesmo) mas, que se se sabe aproveitar, pode significar o começo deste desenvolvimento que é a Individuación. Nas últimas fases do processo de Individuación costuma aparecer nos sonhos o Se-mesmo, que é o centro da personalidade e que alguns o vivem como uma imagem interna de Deus. Este Se-mesmo é representado em ocasiões como uma cuaternidad (que é uma imagem com uma estrutura cuádruple, usualmente quadrada ou circular que indica a idéia de totalidade). Esta cuaternidad as vezes toma a forma de um mandala (que é uma forma circular, símbolo do ordem e da proteção). Quando um indivíduo sente um grande desordem mental ante uma crise, não é raro que em sonhos apareça o mandala como uma forma compensatória de busca de ordem e de proteção ante do caos. Mana é uma palavra que se refere à qualidade mágica que tem o Se-mesmo; assim as personalidades mana encarnam esse poder mágico. A individuación como acabamos de dizer, pode ver-se como uma conciliação entre os opostos consciente e inconsciente, o qual se representa em ocasiões na mitologia mediante um hierogasmos (por exemplo, em alquimia, a figura de um homem e uma mulher com um mesmo corpo, assim que o hierogasmos representa essa conciliação entre os opostos). Com freqüência, a sensação de estar incorporando conteúdos inconscientes à consciência produz uma inflação do Eu, que é um estado mental caracterizado por um sentimento exagerado de um mesmo. E em seus últimos trabalhos, Jung encontrou que a alquimia medieval envolvia uma transformação psíquica, que ele reconheceu como um verdadeiro processo de individuação.